Sunday, June 08, 2008

Professor

Nós professores temos uma característica em comum, somos controladores ao extremo. Quando subimos no tablado adotamos essa postura irreversível. Não admitimos um resquício sequer de descontrole de nossa parte, seja por evitar transparecer não saber tanto aquela matéria, ou por não poder permitir qualquer bagunça dos alunos. Essa sensação de controle que sentimos ajuda a sermos bons profissionais, afinal de contas, os alunos respeitam apenas aqueles professores que adotam essa postura e os diretores preferem professores que conseguem manter os alunos no “laço”. Gostamos de controlar tudo na sala de aula! Desde um silêncio absoluto na hora da explicação até a decisão da nota vermelha daquele aluno que não nos simpatizamos. Ficamos loucos quando este controle foge de nossas mãos por pequenos segundos, talvez o que sentimos seria medo, mas independente disso um professor gosta e precisa ter e demonstrar controle. Todavia, quando saímos da escola confundimos a sala de aula com as nossas vidas. Por hábito, passamos a querer controlar tudo, inclusive os nossos sentimentos, que por analogia, seria uma sala de aula de uma escola pública com 60 alunos na faixa etária de 16 anos onde todos são repetentes e rebeldes e... odeiam a sua matéria, ou seja, praticamente impossível de controlar. Conseqüências? Ficamos loucos dia após dia tentando controlar a bendita turma, porém sem muitos sucessos. Não conseguimos entender que é impossível controlar tudo. Enfim, no outro dia vamos entrar nessa sala de aula novamente com uma nova didática a fim de obtermos esse controle nem que seja “momentâneo”, mesmo que saibamos que é ilusório e mentiroso, pois na sala de aula do coração quem recebe a nota vermelha na prova é o professor, sempre.

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