Thursday, February 22, 2007

Experiência COMEERJ 2007

Como sempre muitos sorrisos e também muitas lágrimas... Foi a minha primeira COMEERJ no pólo VIII eu ia ao Pólo V, mas antes devo explicar o que é a COMEERJ. A sigla quer dizer “Confraternização das Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro”, e o evento ocorre durante o carnaval. Começou no sábado, apesar de eu ter chegado na sexta-feira para ajudar a arrumar o colégio, e termina na quarta feira. Trata-se de um encontro espírita na qual mesclamos estudo, arte, música e prece. Quem já foi, sabe o quão maravilhoso é. O tema desse ano foi: “Quem ama muda a história da humanidade. 150 Anos de Doutrina Espírita”. Como era a minha primeira vez nesse pólo, logo eu não conhecia absolutamente NINGUÉM! Isso não seria nem um pouco doloroso se fosse há mais ou menos um ano e meio atrás, porque eu era uma pessoa extremamente social e divertida, mas infelizmente me tornei anti-social e sem graça! E, isso se reflete em todas as vezes que você almoça sozinho ou fica fingindo que está fazendo alguma coisa nas horas de intervalo para ninguém perceber que está sozinho e, ainda o fato de ninguém mandar bilhetinhos para você através do "correio fraterno". O problema que a pessoa que é anti-social, na maioria das vezes, não faz o menor esforço para mudar isso. E, não tem coisa que mais me irrita são aquelas pessoas que ficam com pena de você e tenta fazer você interagir com alguém. Odeio quando alguém tem pena de mim, e não gosto de sentir pena de ninguém! Enfim, essa foi a parte ruim da COMEERJ, além da comida e o fato de eu não poder tomar banho de manhã para economizar água (havia quase 400 pessoas no colégio), isso foi terrível para as minhas frescuras, eu confesso!
Mas, colocando na balança, essa parte ruim se refletiu em 10%, enquanto 90% foram momentos bons.
O mais incrível da COMEERJ são as sensibilizações... Não tem um que não chore na frente de todos. Até os homens choram... E eu, apesar de não gostar nem um pouco de expressar os meus sentimentos para os outros, ainda mais chorar, não resisti e chorei, chorei, chorei muito. Os facilitadores (professores) falam e fazem coisas que mexe com o coração de qualquer um.
Eles realizaram uma sensibilização bem interessante, na hora eu não gostei muito, mas depois percebi que era importante, vou relatar aqui nesse blog (meu arquivo morto de memórias).
Primeiro, me deram um papel em branco e pediram para eu traçar uma linha bem no meio do papel, e em menos de um minuto tínhamos que escrever nomes de pessoas nas quais convivíamos freqüentemente. Comecei a escrever, escrever e escrever. Quando chegou na 18º pessoa me veio à mente aquela pessoa... Fiquei triste e feliz ao mesmo tempo, triste porque havia lembrado dele e feliz porque fora a 18º pessoa, se fosse há um tempo atrás estaria nas primeiras 5 pessoas que viriam à minha mente. Depois disso, tínhamos que traçar uma outra linha no meio do papel sendo que horizontal, separando a lista de pessoas. Do lado esquerdo tínhamos que escrever as 5 pessoas do lado inferior que mais convivíamos e, do lado direito escrevemos: dialogando; com e paciência; dando o melhor de mim; com grosseria; com afeto; com indiferença; com ressentimento; outros. E ligamos essas 5 pessoas a uma dessas palavras. E aquela pessoa eu liguei à palavra “grosseria”, porque é assim que eu o trato. Em seguida, o facilitador pediu para pensarmos na pessoa que mais temos dificuldade de se relacionar, então eu comecei a prender um choro. E pensei: - Meu Deus! Tive tanto trabalho para esquecê-lo, por que tenho que lembrar dele aqui na COMEERJ? Por que até aqui a imagem dessa pessoa me persegue?
Então o facilitador pegou uma boneca e pediu para expressarmos os nossos sentimentos naquela boneca. Bom, eu lhe dei um abraço e um beijo em lágrimas, claro! E, fiquei me perguntando... Como posso sentir afeto e odiar uma pessoa ao mesmo tempo??? E, como posso tratar tão mal uma pessoa que tanto amei???
Eles falaram que devemos ao máximo tentar se relacionar bem com essa pessoa.

Outra dinâmica que também achei interessante:
O facilitador nos deu um papel grande em forma de camisa. E, dividiu o grupo em duplas nos dando 20 minutos para nos conhecermos. Em seguida, tivemos que desenhar nesse “papel em forma de roupa” para a outra pessoa de acordo com a personalidade que ela acabou de ter passar. O desenho que me deram foi bem parecido comigo. A garota desenhou a natureza e uma estrada em direção a um colégio, ao meu tão sonhado colégio, e também desenhou um coração trancado e, ela disse que eu não quero entregar a chave.

Outra sensibilização, foi a da mesa!
Havia uma mesinha em forma de miniatura e que foi passando de mão em mão pelo grupo, depois tivemos que contar o que aquela mesa representou para a gente, o que veio à nossa mente. E, eu lembrei do meu antigo centro espírita, parecia a mesa de lá. Lembrei dos meus antigos amigos, o quanto eu gostava de estar ali com eles e que agora isso não é mais possível. Não moro mais perto deles, não convivo mais com eles devido a minha mudança geográfica por causa da minha separação com o meu ex-marido. E, essa separação me custou caro, inclusive o convívio com os meus amigos. Daí, chorei, chorei, chorei.

Outra coisa que me fez chorar
O grupo de arte fez uma peça que falava sobre a vida de Roberto Carlos – “Sou brasileiro e não desisto nunca”. A história dele é muito triste ... Me Identifiquei um pouco com algumas cenas. O relato de quando começou a faltar comida na casa dele pouco a pouco e ele não sabia o porquê e, também com o abandono. E, ainda me faz chorar qualquer história de adoção, até porque meu soooooooonho é adotar uma criança. Aliás, não é sonho, é projeto de vida: “Adotar uma criança, construir um colégio espírita e escrever um livro paradidático”, não necessariamente nessa mesma ordem, rsrsrs.

O que me fez rir bastante
O grupo de música tocou músicas de ciranda e nós fizemos uma ciranda gigantesca! Todos girando e depois abraçando! Aliás, quer abraçar o tempo todo alguém, então vá à COMEERJ. E eu, como adoooro abraçar alguém... Adoro essa parte!

Bom, agora relatarei o que mais foi incrível nessa COMEERJ
Fiz parte do grupo de tarefeiros que realizaria um estudo sobre o “papel do jovem na doutrina espírita”. Então, escolhi os mais jovens, faixa etária de 11-12 (semente). Éramos três pessoas para dar esse estudo. Tive a idéia de fazer um teatrinho de fantoches, fazendo com que os sapinhos interagissem com as crianças. Só tinha um problema: Eu nunca fiz fantoches na minha vida e nem nunca contracenei um fantoche, mas... vai lá! Vamos tentar!
Algumas pessoas me ajudaram e com isso, consegui fazer os fantoches de meia. Eram sapinhos, apesar de ter cabelinhos e um usava óculos, assassinando tooooda a minha biologia, rsrsrsrs. Fizemos um quadro e colocamos um pano para que eu e a Juliana pudéssemos nos esconder.
Confesso que fiquei com medo dessa idéia ser ruim, porque as crianças não eram tão crianças assim, elas poderiam achar tudo uma palhaçada e não querer participar, sabe como é essa idade crítica!
Antes, uma pessoa me disse: - Fantoches são legais, mas lembre-se que o mais mágico dos fantoches não é o fato deles serem coloridinhos e engraçadinhos e sim, a voz! Caramba! Fiquei o dia inteiro pensando nisso! Qual voz? Qual voz? Qual voz? Qual voz? Qual voz?! E NADA! Deixa para lá! Não dá mais tempo. E, o pior, foi tão corrido que não tivemos tempo de ensaiar absolutamente nada! Então, perguntei para a Juliana, que iria fazer o outro sapinho, se ela sabe improvisar! E, ela me disse: - vou tentar! Então beleza! Coisa que eu sei fazer é improvisar! Eu seria uma sapinha chamada Florentina e ela um sapinho chamado caco (o que usava óculos). A sapinha florentina não sabia nada de espiritismo e só fazia besteiras enquanto o sapinho Caco era o sapinho que sabia da doutrina espírita.
Chegou na hora............................tchrám
Foi um sucesso! Não sei de onde eu tirei uma voz tão engraçada! As crianças não paravam de rir e sempre queriam falar com a Florentina ou perguntar alguma coisa à ela, e eles não queriam que o teatrinho acabasse!
Fez tanto sucesso que o grupo de tarefeiros (pessoas da minha faixa etária) insistiram para eu fazer um teatrinho rapidinho. Todos riram, e isso chegou até a coordenação geral. Eu imaginei que seria legal e não que seria fantástico.
Conclusão:
Fui chamada para ser facilitadora (Professora) da COMEERJ no ano que vem!

A COMEERJ desse ano para mim foi maravilhosa, mas ano que vem será espetacular!!!!

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