Tuesday, June 13, 2006

Discussões em Grupo

Depois de um jogo difícil do Brasil, onde a maioria já havia bebido “todas”, sempre rola uma discussão, desde políticas a amores. Na maior parte do tempo eu apenas ouvia. Infelizmente não fui capaz de dizer muitas palavras produtivas, nunca me senti tão impotente de ajudar, na medida que só precisava de algumas palavras certas.

- Por que existe tanta desgraça no mundo?
- Por que há tanta injustiça no mundo?
- Por que alguns possuem mais do que os outros?
- Por que tanta desigualdade social?
- Por que pessoas “aparentemente” boas sofrem?

Esses foram alguns questionamentos feitos durante essa discussão. Como posso responder essas perguntas para alguém que não tenha a mesma visão que eu, ou seja, espírita? Fui incapaz de ajudar...Por um lado estava triste por toda a situação. Percebi o quanto que todos estavam revoltados, me senti um pouco culpada também, por ser a única que não estava com coração possuído de ódio. Por outro lado, percebi, o quanto eu era feliz e o quanto a minha doutrina me ensinou a compreender todos esses questionamentos e a ter calma.

Aí vão algumas respostas...

- A Terra oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, o servirem de lugar de exílio para espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses espíritos tem aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde em proveito do progresso do Espírito. Santo Agostinho (Paris, 1862)

- A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.
Por que Deus a dá a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos? É novamente uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando ao homem o livrearbítrio, quis que ele chegasse, por sua própria ação, a estabelecer a diferença entre o bem e o mal, de tal forma que a prática do bem fosse o resultado de seus esforços e de sua própria vontade. O homem não deve ser conduzido fatalmente nem ao bem, nem ao mal, porque seria apenas um ser passivo e irresponsável, como os animais. A riqueza é um meio de colocá-lo à prova moralmente; mas, como ela é, ao mesmo tempo, um poderoso meio de ação para o progresso, Deus não quer que ela fique por muito tempo improdutiva, e eis por que a transfere incessantemente. Cada qual deve possuí-la para aprender a utilizá-la e demonstrar que uso dela saberá fazer. Mas há uma impossibilidade material de que todos a possuam ao mesmo tempo. Se todas as pessoas a possuíssem, ninguém trabalharia, e o melhoramento da Terra sofreria com isso. Essa é a razão de cada um a possuir por sua vez. Desta maneira, aquele que hoje não a tem, já a teve ou a terá em uma outra existência, e outro que a tem agora poderá não ter mais amanhã. Há ricos e pobres, porque Deus, sendo justo como é, determina a cada um trabalhar por sua vez. A pobreza é para uns a prova de paciência e resignação; a riqueza é para outros a prova de caridade e abnegação. A origem do mal está no egoísmo e no orgulho; os abusos de toda espécie cessarão por si mesmos, quando os homens deixarem-se reger pela lei da caridade.


- Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.

As compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra somente podem realizar-se na vida futura. Sem a certeza do futuro, estes ensinamentos morais seriam um contra-senso, ou, bem mais do que isso, seriam uma enganação. Mesmo com essa certeza, fica difícil de se entender a utilidade do sofrimento para ser feliz. Diz-se que é para ter mais mérito. Mas, então, surge a pergunta: Por que uns sofrem mais do que outros? Por que uns nascem na miséria e outros na riqueza, sem nada terem feito para justificar essa posição? Por que para uns nada dá certo, enquanto para outros tudo parece sorrir? E o que ainda fica mais difícil de entender é ver os bens e os males tão desigualmente divididos entre viciosos e virtuosos e ver os bons sofrerem ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica estas desigualdades, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que se admita a existência de Deus, só se pode concebê-Lo em suas perfeições infinitas. Ele deve ser todo poderoso, todo justiça, todo bondade, sem o que não seria Deus. Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho nem com parcialidade. As contrariedades da vida têm, pois, uma causa e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que cada um deve se convencer: Deus, pelos ensinamentos de Jesus, colocou os homens no caminho da compreensão dessa causa, e hoje considera-os suficientemente maduros para compreendê-la. Deste modo o homem é, na maior parte dos casos, o autor de seus próprios infortúnios, mas, ao invés de reconhecer isso, acha mais conveniente e menos humilhante para sua vaidade acusar a sorte, a Providência, o azar, sua má estrela, quando, na verdade, sua má estrela é a sua negligência.

Todas essas respostas foram retiradas do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Espero ter ajudado um pouco...

1 comment:

Michelle Trindade said...

Muitas pessoas possuem dificuldades em acreditar naquilo que não vêem. È o famoso complexo de São Tomé. Só acreditam no que possam tocar. Elas vêem a morte como a desintegração do corpo físico, e conseqüentemente o fim da vida. Admitir que há vida depois da morte, é acreditar naquilo que não vêem. Então negam incessantemente. Daí para eles, a vida é somente esta, e pensam que se há esta enorme desigualdade social é fruto de injustiça humana e talvez divina. Não conseguem enxergar que tudo o que ocorre em nossas vidas, é conseqüência de nossas próprias ações. Toda ação tem uma reação.